13/04/11

Kuma Ki bu Mansi? - parte I

Deixo-vos com o texto escrito pela Jacinta sobre a sua estadia na Guiné-Bissau. Aproveitem!

«Acho que nada melhor do que iniciar este breve apontamento sobre a minha 1ª experiência em África, com a frase que sai da boca dos Guineenses diariamente. E perguntam vocês “qual o significado?”Pois é, não é mais nem menos do que “Como é que amanheceste?”. Esta expressão é acompanhada de um sorriso e na maioria das vezes acrescido de um “Bom Dia”.Podemos ou não tornar o dia das pessoas mais bonito com um simples sorriso logo de manhã ao invés de uma “cara fechada”? Depois de muitos anos por terras Africanas, e após diversos convites da minha grande amiga Salete finalmente fui “VIVER” e “SENTIR” tudo aquilo que ela contava e escrevia sobre África. Agora percebo a dificuldade em explicar às outras pessoas o que é viver em África.


O turbilhão de sentimentos, sensações e experiências é intenso e os dilemas e contrariedades que se sentem são constantes e muitas vezes causadores de inquietude e desassossego. A Salete contou-me que numa das noites eu falei imenso a sonhar. O que vale é que ela não conseguiu perceber nada ;) A Guiné-Bissau foi o local de aterragem e só vos posso dizer “que embarque e que recepção!!!”O embarque, que demorou mais de 1 hora, foi marcado pelo desespero das hospedeiras com a quantidade de malas que não cabia nas bagageiras e que tiveram de ser despachadas para o porão. A recepção não poderia ser melhor :D. Autocarro à porta do avião para percorrer uns 30 metros e um conjunto de Guineenses a olhar fixamente e a demarcar as extremidades como que de um tapete vermelho. E o céu? Que luz intensa a das estrelas que mais parecia que sorriam para todos nós. No aeroporto, depois de muito tempo de espera pela mala, onde assisti a piruetas e passagens aéreas no tapete para resgatar malas, não escapei a uma bela “mexidela” na mala para ver o que trazia e como não poderia deixar de ser não me queriam deixar passar com a mala. Tive que argumentar bastante para conseguir sair. A Salete que me avistava pensou que teria que intervir mas não foi preciso. Logo de seguida senti o poder de um abraço. Sentir que os nossos portos de abrigo estão mais perto é um sentimento inexplicável. A aventura e a experiência começou de imediato...De jeep e com a janela bem aberta comecei a sentir o calor, as avenidas esburacadas, (aliás com crateras), o pó e o cheiro da Guiné Bissau. A Salete começou de imediato a explicar os locais por onde passávamos, mas confesso que não assimilei nada...estava ainda absorta a observar o ambiente nocturno, onde a electricidade não marca presença.

Chegadas à Cúria comecei de imediato a utilizar lanterna. Noite de pouco sono, mas de muita conversa. É tão bom sentir que apesar da distância, a conversa entre 2 amigas tem aquela continuidade natural... O dia amanheceu cedo com um belo banho de água fria, que no início se estranha mas depois não é mais do que um hábito. Ao pequeno almoço pude conhecer a Sónia, a jovem que ajuda os elementos da casa e que será a sereia do musical que a Salete e o Emanuel estão a preparar J. Muito eu me ri com estes dois...o Emanuel a quem eu desestabilizei tudo que ele faz tão direitinho (ai o Pensal!!!!) e que não é mais do que o explorador da casa.
A Salete, que coordena a verdadeira Agência de Viagens para amigos, preparou detalhadamente a minha estadia.Rumo a Mansoa numa 7 places, pude experimentar um dos transportes utilizados para viajar na Guiné. Este de luxo, pois a candonga é o mais utilizado pela “gente local”A maioria das viaturas está completamente bombardeada e destruída, sendo estas utilizadas acima da capacidade máxima. Nunca vi nada assim...se viram o filme “Gato Preto Gato Branco” então é mesmo isso. As carrinhas repletas de tralha no tejadilho e dentro uns em cima dos outros. O conceito de segurança não existe...se houver algum acidente morrem todos, na certa. Quando se está na Guiné não vale a pena pensar nisso, pois caso contrário não se sai da redoma.

Os meios de transporte são um dos aspectos mais caricatos da Guiné: as “toca toca” são os nossos autocarros, mas em carrinhas tipo Hiace pintadas de amarelo e azul, os táxis, as candongas e as 7 places.O táxi mais caricato que andei foi um forrado a pêlo tipo de peluche e um outro onde tivemos de pedir a maneta para abrir o vidro.Outro aspecto curioso é a rentabilização de um táxi que vai enchendo à medida que se dirige para um determinado destino e se cruza com pessoas que pretendem ficar na mesma rota. Mansoa é uma cidade pacata, onde o calor humano é intenso e as crianças sorriem e pedem para tirar “postal”. Comecei a ouvir chamar algo, ”Branco, branco”, que no início me incomodou mas que depois me fazia reagir brincando com a situação. Se algum branco pensa que pode passar despercebido pode esquecer. Parecemos umas lanternas :D.


O Carnaval na Guiné dura 4 dias. Bem, eu diria que a semana inteira, pois as escolas nos dias seguintes estavam a “meio gás”. Eu não sou, claramente, participante e entusiasta do Carnaval, mas confesso que este Carnaval despertou a minha atenção. Cada região elege o melhor Grupo para desfilar em Bissau. Comecei a sentir o espirito carnavalesco e os cheiros que no início me deixavam enjoada. Com os dias, a sensação foi passando e então depois da viagem de barco para Bubaque, no arquipélago de Bidjagós, o nariz ficou vacinado.Gostava de conseguir descrever os cheiros, mas era uma mistura tão grande e tão intensa...peixe fresco e seco, galinhas vivas, porcos, cabras, comida, vinho, o cheiro das próprias pessoas, muitas delas cansadas do trabalho, ...a essência que caracteriza o povo Guineense.

Bafatá era o novo destino a atingir de candonga que só parte se estiver repleta, considerando lugares sentados e não sentados. Com excepção das crianças que choraram porque viram 2 brancas, a viagem foi silenciosa a pensar no ambiente que me circundava e a admirar tamanha beleza natural. Pois é, a riqueza natural é incalculável. A paisagem marcada pelas planícies, cajueiros, arrozais e muita outra vegetação que torna o cenário deslumbrante. O mais ingrato é o comprimento das minhas pernas que não facilita as viagens. Algo curioso aconteceu enquanto esperávamos pela partida. Um Sr. viu que eu me ia sentar no chão e não me deixou pois achou que uma pessoa grande como eu só se podia sentar num banco. Ri-me à gargalhada pois encontrei alguém que me entende :D. Mentira...o Roberto com quem estive mede 2m e tem um problema bem maior que o meu ;)

Chegadas a Bafatá, a Mónica, amiga da Salete via FEC, levou-nos a almoçar e alojou-nos na casa que partilha com Guineenses e que é sem dúvida a que tem melhores condições da FEC.Bafatá é uma cidade incrível que me fascinou por todo o peso histórico que ela tem, mas ao mesmo tempo deixou um sentimento de revolta, por todos os investimentos efectuados que não têm utilidade para os residentes. De que valem piscinas sem água, mercados reabilitados mas longe do centro comercial da cidade? Pois é, o confronto com pequenas coisas como estas dão que pensar. Pelo menos o parque infantil, um pouco destruído, vai servindo para alegrar as crianças. Descemos ao final da tarde a grande avenida, que tem como vista final o imenso rio Geba, onde circulavam muitas crianças e onde descobri, à força pela Salete, que o “caju” que eu conhecia era a “castanha de caju”. Vivi estes anos enganada...como é possível !? A situação foi tão caricata..O circuito pela cidade foi muito relaxado e o jantar mais ainda.»

31/03/11

Notícias de Bissau-Mansoa II



chegou o calor a essa terra! gosto dessa sensação do corpo sempre molhado pelo suor a pedir um banho de água fria, do bafo quente, dos cheiros que a humidade começa a trazer…

o sérgio ralhou-me por a minha última entrada ser de 4 de fevereiro; o dom élio mandou um email com o título sugestivo “ti seguo!”, mostrando que mesmo em moçambique foram deixadas sementes e criados laços que ainda não se esgotaram; uma amiga, talvez percebendo melhor a entrega, pediu-me desculpa por não ter estado muito disponível…

por muito que, por vezes, me custe encontrar um tempo para sentar e partilhar, sinto que o devo fazer, até porque é também um momento de encontro comigo.

visitas e celebrações. os últimos dois meses podem ser condensados nestas duas palavras. dia 4 de fevereiro foi o dia da partida do miguel para portugal e da chegada de mais um grupo de amigos que vieram visitar a guiné-bissau, aproveitando da nossa estadia cá.

com alguma organização, alguma criatividade e algum esforço logístico, tudo é possível nesta terra e eu e as minhas “visitas” temo-lo comprovado. com uma dose de boa vontade e abertura de espírito a acrescentar aos requisitos anteriores… podem mesmo ter-se momentos memoráveis! :D não é por acaso que uma das expressões muito guineense é o “nô na ngenha”, que significa “nós desenrascamos”. e é mesmo verdade!

a 17 de fevereiro, dia do professor na guiné, a fec celebrou os seus 10 anos de presença no país. sob o lema “fec gb, 10 anos de caminhos partilhados e construídos”, tivemos uma série de iniciativas (ainda não todas concretizadas pois estendem-se por todo o ano lectivo) que envolveram o público a quem nos dirigimos (professores, directores, inspectores, educadores de infância, jornalistas), os nossos financiadores e parceiros (igreja, estado, unicef, união europeia, entre outros), o ministro da educação e o embaixador de portugal. foram momentos que exigiram muita preparação mas que valeram a pena – a exposição fotográfica de momentos-chave dos 10 anos está muito bonita; as apresentações multimédia, os vídeos testemunhais que fizemos com público-alvo, parceiros e até elementos ex-fec, foram muito ilustrativos do trabalho que tem sido feito; o sarau cultural trazido pelo público da bafatá e cacheu; foram mesmo momentos daqueles que permitem uma reflexão sobre o trabalho feito e nos fazem olhar para o futuro com outros olhos. acontece sempre isto quando olhamos para o passado com olhos de ver e aprender! grande lição da história!

no entretanto chegou o roberto, o meu único amigo guineense no porto, antes de eu vir para a guiné, que regressou ao seu país após oito anos consecutivos em portugal. fui buscá-lo ao aeroporto e tivemos uma viagem muito divertida durante a qual ele não conseguiu esconder o desalento de ver o seu país num estado tão… tão… destruído, talvez seja a palavra. tentei animá-lo, afinal eu sei que é possível viver-se aqui! :D desde essa noite não nos temos perdido de vista e tem sido muito interessante acompanhar o seu “regresso” a bissau. é este o nosso últmo motivo de brincadeira – ajudei à sua integração no porto, quando ele para lá foi estudar, e agora ajudo-o no seu regresso a bissau. e esta, hein? :D

a 4 de março chegou a jacinta, minha amiga de infância, como irmã, que, finalmente pôde vir partilhar um pouco da minha vida. aproveitamos a semana do carnaval para passear um pouco, gozar do desfile (que é mesmo lindíssimo, por aqui) e descansar. a jacinta prometeu escrever e enviar um texto para eu colocar aqui no blog, portanto não vou revelar nada da sua visita. mas soube muito bem!

a 14 de março chegou a minha irmã manuela e o meu cunhado, o rui. foram quase três semanas que eles passaram por aqui (também ficarei à espera que queiram partilhar qualquer coisa!). conheceram mais da guiné do que eu… :D

quase poderia abrir uma agência de viagens por aqui – há pacotes de uma, duas e três semanas, sempre com actividades para fazer, sítios novos para visitar! :D

claro que os pacotes incluem candongas que demoram dias inteiros a chegar aos locais desejados; carros que se atolam na areia e que temos de empurrar; táxis esventrados, com vidros partidos e em mau estado que também precisam da nossa ajuda, quando a ligação directa também já não funciona; indigestão com a poeira comida nas obras de Bissau (que está transformada em estaleiro); banhos de mar com sapatos para evitar picadas de raia; barcos fedorentos onde os animais partilham os espaços das pessoas; cedência de passagem aos animais que se cruzam connosco - porcos, vacas, cabras, galinhas; horários flexíveis para tudo; picadas de mosquitos e de outros milhares de insectos desconhecidos; … uma viagem de sonho! :D

foi muito bom tê-los todos por cá (as fotos de tudo isto já estão colocadadas aqui, em baixo do texto)! é óptimo receber a visita de companheiros da nossa vida, da nossa “outra vida”.

já muitos terão ouvido a minha teoria de que não me é fácil integrar as duas vidas numa linha contínua. duas vidas, leia-se, a vida europeia e a vida africana. não sei se é uma forma de eu conseguir sobreviver bem e com sanidade mental nos dois locais, mas a verdade é que me parece que tenho duas dimensões na minha vida e que vou saltando de uma para outra. por isso mesmo, não posso deixar de confessar que, às vezes, me parece estranho estar com pessoas de “uma dimensão” na “outra dimensão” (se algum psiquiatra me quiser consultar depois destas afirmações… será compreensível!).

por outro lado, é uma sensação muito boa sentir que, finalmente, essas pessoas me compreendem um pouco melhor. quem esteve em experiências destas sabe que uma das dificuldades é chegar a portugal e tentar contar como é a vida aqui, responder às perguntas, entrar em discussões que muitas vezes não têm qualquer cabimento para nós. por isso não é de estranhar que, quando se regressa, nos apeteça muito estar com os colegas que também estiveram connosco. partilhar o que se vive não é fácil, assim como não é fácil a tarefa de quem nos quer compreender. tenho muitas pessoas à minha volta que se esforçam por isso e com quem eu tenho uma dívida de gratidão por estarem lá mesmo quando não percebem(iam) o que vai (ia) na minha cabeça. mas partilhar a vida por alguns dias é uma experiência riquíssima. a jacinta, que esteve sempre presente na minha vida, e que viveu intensamente o regresso da minha primeira viagem, em 2003, disse que só agora percebia, de facto, muitas das minhas partilhas, muitas das dificuldades que tenho de superar sempre que regresso.

a ideia de receber visitas assusta muitos colegas por aqui, e é fácil perceber o porquê…

muitas vezes, para conseguirmos encontrar algum equilíbrio que nos permita viver aqui de forma saudável (mentalmente falando), temos de deixar de fazer algumas perguntas; temos de nos habituar ao “anormal”, ao “estranho”; temos de encontrar novos padrões de normalidade; temos de calar algumas idealizações e aprender a viver com o real, com as limitações dos outros, com as nossas próprias limitações. receber visitas que nos questionam sobre toda a realidade, sobre os outros e sobre nós, coloca dedos nas feridas, volta a criar incomodidades, volta a trazer desequilíbrio.

acho isso saudável, não gosto de adoptar atitudes acomodadas, não gosto de deixar de pensar sobre as coisas. receber visitas pode ser desgastante, porque exercício de aprofundamento e de reflexão sobre a(s) realidade(s), mas também pode ser refrescante, se tivermos a disponibilidade e a coragem de nos abrirmos e de tentarmos ver as coisas com a abertura da primeira vez, de nos questionarmos e avaliarmos as nossas atitudes perante as realidades.

realidades essas que, de tão diferentes, nos interpelam todos os dias, a todos os momentos. termino com um episódio simples e real que ilustra o quão diferentes: umas amigas minhas estavam a tirar fotografias a uma mamã que estava com o bebé às costas, como se utiliza em áfrica, e ela ficou muito admirada por elas a estarem a fotografar numa cena tão banal. uma delas sentou necessidade de justificar, perante a mamã, o porquê do interesse, dizendo que para nós era uma cena bonita, estranha, pois em portugal as mulheres não colocam os filhos nas costas. a senhora, muito espantada perguntou à minha amiga: “então como é que as mulheres trabalham?”

palavras para quê?...

estamos juntos!

04/02/11

Notícias de Bissau/Mansoa I

uma primeira palavra para pedir perdão pelo meu silêncio, felizmente sentido por vários amigos que me interpelam em diversos estados de preocupação e zanga :D

a verdade é sempre a mesma – muito trabalho!

mas também tenho a certeza que sabem que silêncio não é sinónimo de esquecimento! e não é mesmo!

o mês de janeiro voou... o que é obra na guiné!
neste momento estou em mansoa, meu local de base nestes quatro meses entre janeiro e abril, uma vez que estou a dar formação e a acompanhar os jornalistas da antena da rádio sol mansi, aqui em mansoa, onde a rádio nasceu, como rádio comunitária, há dez anos.

aqui é tudo muito mais calmo, sem os stresses de bissau. vive-se muito mais a interioridade que eu experimentei em canchungo. não é fácil estar sempre a começar relações em sítios diferentes, e isso custa-me um pouco. mal acabo de criar uma rede de relações (mais ou menos intensas) lá estou eu a mudar outra vez de local! e em mansoa tenho ainda outra agravante, não tenho equipa, estou mesmo sozinha – vivo sozinha e devo ser a única cooperante a trabalhar na cidade… o que me salva são os jornalistas da rádio, onde acabo por passar quase todo o dia!
um dia destes fui ao mercado comprar fruta e uma senhora na rua estava a vender laranjas descascadas (tem muita saída aqui pois basta pegar e chupar, assim já se mata a sede e engana-se a fome). eu queria uma para comer no momento mas queria também levar para casa. ela só vendia laranjas descascadas – três por 100 francos (15 cêntimos). pedi então à senhora que me vendesse laranjas ainda por descascar senão as outras iriam estragar-se. após alguma resistência, ela fez-me esse favor mas estava com dificuldade em fazer o preço pois como não descascaria duas, teria de me fazer preço mais barato… e nenhuma de nós tinha troco… claro que eu não me importei nada, afinal ela estava a fazer-me um favor, a estragar o negócio dela (que tira lucro em as descascar), claro que insisti para lhas comprar pelo preço das laranjas descascadas! mas a verdade é que a senhora não me queria deixar fazer isso… depois de muita insistência, eu lá lhe dei os 100 francos e peguei nas três laranjas (uma descascada e duas por descascar), agradecendo e querendo vir embora. ela abriu-me a saca e meteu mais uma por descascar… eu estava parva com a situação… andamos sempre preocupados que nos enganem por sermos brancos, sobretudo em bissau, e depois acontecem cenas destas que nos deixam totalmente sem palavras…
as maravilhas do interior!
na guiné os dias 20 e 23 de janeiro são feriado – dia 20 por ser o dia da morte de amílcar cabral (é incrível como nenhum dos heróis das independências dos palop morreram de morte natural…), dia 23 por ser o dia dos combatentes. como aqui os feriados que calham ao domingo passam para segunda feira, tivemos um fim-de-semana grande. aproveitamos para ir dar uma volta ao sul do senegal, a uma zona de praias muito bonita, cap skirring.
alugamos uma 7 places e fomos com uns amigos. cinco horas de viagem… mas foi muito bom! interessante verificar como o senegal sabe aproveitar os recursos para o turismo, e a guiné, exactamente com a mesma costa, não tem nada preparado… a falta de oferta na guiné faz ainda com que os preços das coisas mais ou menos turísticas subam imenso enquanto no senegal tudo é muito mais barato devido à concorrência.

ficamos num hotel mesmo em cima da praia, num estilo meio “hippie”. o forte destas zonas são pessoas já com alguma idade, geralmente reformados, que vêm curtir o sol africano nos meses frios da europa! :D são esses e os cooperantes europeus na guiné que vão aproveitar aquilo que é difícil de fazer na guiné… turismo! tropeçamos nuns quantos conhecidos de bissau que também tinham tido a mesma ideia!
O areal enorme deu para uma caminhadas, o atlântico aqui é mais generoso na temperatura, o ar “tropical” tem a sua graça… até as vacas gostam de aproveitar o sol por aqui!

no regresso à guiné, na fronteira do senegal, onde nos revistam as malas tirando tudo o que lá está, meticulosamente (haviam de ver a cara do polícia a verificar o estojo dos medicamentos do miguel… achou que ele era um potencial traficante!! :D é um pouco hipocondríaco o meu rapaz!), apercebemo-nos que faltava a minha mala… só eu!! eu achei que o miguel a tinha posto no carro e ele achou que eu a tinha levado (tudo isto porque decidi ir à casa de banho no minuto de sair)… ou seja, a mala ficou em cima da mesa, no hotel! como tudo tinha boa onda, lá liguei eu para o hotel (já estávamos a três horas do hotel e voltar para trás não era hipótese pois a fronteira fecha…) a perguntar se tinham visto a minha mala. simpatia, claro! já a tinham guardado e esperavam que alguém voltasse para a buscar. pedi que a guardassem… não sabia quando voltaria! o tipo da 7 places, o motorista que nos levou e nos foi buscar, prontificou-se a passar lá da próxima vez que tivesse algum trabalho para o senegal… e pronto! como eu digo sempre, apesar de nada parecer exequível, não há nada que não tenha solução na guiné… passado nem uma semana lá estava o gibril a bater-me à porta com a minha mala, em perfeitas condições e sem que lhe faltasse nada! e esta?? :D

mas antes de partirmos para cap skirring, sábado, às 8.30 da manhã, lá estávamos nós na embaixada, como bons emigrantes, a cumprir o nosso dever cívico nas eleições presidenciais!

eu e a ana poças temos aproveitado todos os concertos que passam por cá - super mama djombo, manecas costa & narf, eneida marta, dulce neves... estamos umas craques em música guineense!

penso que já terei falado antes sobre o concerto de ano novo. eu e o emanuel, um colega que mora no mesmo “aldeamento” que nós, tínhamos sentido falta dos concertos de natal, da música natalícia. entre cozinhados e corredores, lá nos decidimos a organizar qualquer coisa dessas. mandei uns emails para as diversas ongs em bissau, para embaixadas e outras instituições, falei com o padre da catedral de bissau, contactamos o coro da catedral e metemos mãos à obra. conseguimos juntar cerca de 20 pessoas interessadas, o que para o ambiente de bissau (um pouco separatista, cada grupinho com as pessoas da sua organização) não foi nada mau! com o pessoal guineense do coro da catedral éramos cerca de 35 pessoas! escolhemos um repertório natalício com peças em diferentes línguas e começamos os ensaios em dezembro, continuamos depois de todos retornarmos das férias de natal e foi um processo muito intenso! entre zangas pelos atrasos, dificuldades em ler as letras estrangeiras (o alemão e o inglês foram um quebra-cabeças para os guineenses), stresses por causa das faltas e pela responsabilidade, momentos de arrepiar a pele pela beleza e mistura de estilos… foi uma fantástica experimentação do estilo fusão! no adeste fideles decidimos começar de uma forma muito clássica, com órgão e todo o coro a cantar muito certinho. após a primeira estrofe, o órgão pára e entra o batuque a marcar o ritmo, tudo começa a dançar e a música transforma-se… estou a escrever a sentir a pele toda eriçada! escusado será dizer que o concerto foi um sucesso – a catedral estava cheia… devemos salientar que não há actividades culturais deste género em bissau, e com “este género” quero dizer concerto com corais e que misturem as diferentes populações de bissau (guineenses, cooperantes, missionários, emigrantes de diversas nacionalidades…). o coro estava entusiasmadíssimo e isso passou para o público! o espiritual negro “go tell it on the mountain” (ou não tenha este estilo musical raízes africanas!) foi um sucesso, tivemos de o repetir a pedido do público! no final do concerto, quando cantamos o “natal dos simples”, ninguém nos queria deixar acabar. todo o público já cantava de pé “vamos cantar as janeiras… pam-pa-ra-ra-ri-ri, pam-pa-ra-ra-ri-ri, pam-pam-pam-pam”… :D tivemos de fazer vários encores! eu dirigi e fartei-me de dançar! nada ortodoxo mas muito, muito emocionante! :D foi um dos momentos altos da minha vida, completamente inesquecível!

os pedidos para esta experiência continuar chovem de todo o lado e várias pessoas vieram já oferecer-se para cantar connosco! vamos a ver… a minha estadia em mansoa não ajuda muito… a ver se conseguimos um dia de ensaio que seja possível para conjugar com todos.

a guiné tem isto de bom – é tão pequena, tem tanta falta de tudo e uma abertura tão especial que tudo é acolhido de uma forma única e extremamente sentida! e depois os contactos são tão próximos… imaginem que estavam presentes pessoas da embaixada, coordenadores de várias ongs, etc… foi um momento de grande comunhão!

para terminar, fica um episódio hilariante!
ontem vim para mansoa e como o nosso jipe tem um problema numa peça (o que acontece todas as semanas…) tive de vir em transportes públicos. para mansoa não é fácil apanhar 7 places, há poucas, então tive de vir de candonga (carrinha tipo hiace) onde cabe sempre mais um. esperei cerca de 45 minutos para que enchesse (e encher significa até não caber mesmo mais nada… viemos cerca de 20 pessoas na carrinha!)e lá iniciamos a nossa viagem! como tinha ido levar o miguel ao aeroporto e esperado por uns amigos que vieram de portugal visitar a guiné só tinha dormido quatro horas e acabei por adormecer (perdi a minha esquisitice de não dormir com luz, em viagens e em posições desconfortáveis… agora durmo em todo o lado, com o sol a bater-me de frente, se for preciso, e em qualquer posição!). acordei quando já estávamos perto de mansoa, com uma grande confusão, muitas vozes e muita discussão. espreitei da candonga e vi o motorista da nossa candonga a ter problemas com a polícia que lhe estava a pregar um valente sermão, entre voz alta e muitos gestos. percebi que deveríamos estar com problemas de documentos… quando olho melhor percebo que a polícia era uma senhora a quem eu, de vez em quando, dava boleia para mansoa. ela mora em bissau e vem todas as manhãs trabalhar para jugudul. como eu desde outubro venho todas as quintas gravar o meu programa a mansoa, acabei por encontrá-la várias vezes e comecei a dar-lhe boleia. ficamos amigas! :D
nem penso e decido sair para cumprimentar a deolinda, talvez ela ficasse mais disposta por me ver :D mal me viu, esqueceu o motorista e deu-me um grande abraço, perguntando-me de onde eu tinha saído que ela não tinha visto o meu carro passar. eu explico-lhe que tinha vindo naquela candonga, pois o meu carro estava avariado. ela abriu um sorriso e deu um grande aperto de mão ao motorista, dizendo-lhe “só por causa da minha amiga vir consigo é que lhe perdoo. vá lá embora” e ficamos as duas na cavaqueira, marcando boleia para a próxima terça feira. quando regresso à candonga todos me sorriram como se eu lhes tivesse salvo a vida!!
o motorista, então, não sabia como me agradecer!! disse-me que sempre que eu quisesse vir para mansoa lhe ligasse que ele me arranjava um lugar na frente!! :D :D
ehehehehe….


VIVA A GUINÉ!!!!

21/12/10

Natal de Bissau...














amigos,

partilho um texto de um pensador, khalil gibrain (grande inspirador da minha loucura) que reflecte sobre o dar e o receber.

um tema que me inquieta todos os dias e que é adequado à época natalícia.

que a meditação e a visão de um presépio negro nos ajude a cortar as amarras que nos prendem, a abrir o espírito ao outro, a aceitar as diferenças, a lidar com a procura dos diferentes caminhos da felicidade, nos ajude a dar e a receber cada vez melhor.

com um abraço cheio de esperança num mundo melhor, os desejos de um feliz natal e de um ano novo vivido com intensidade,




A Dávida

Vós pouco dais quando dais de vossas posses!

É quando derdes de vós próprios, que realmente dais.

Pois, o que são vossas posses, senão coisas que guardais por medo de precisardes dela amanhã?

E amanhã, que trará o amanhã ao cão ultraprudente que enterra ossos nas areias movediças, enquanto segue os peregrinos para a cidade santa?

E o que é o medo da necessidade senão a própria necessidade?

Não é vosso medo da sede, quando vosso poço está cheio, a sede insaciável?

Aos que dão pouco do muito que possuem, fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza seus presentes.

E há os que pouco têm e dão-no inteiramente.

Esses confiam na vida e na generosidade da vida, e seus cofres nunca se esvaziam.

E há os que dão com alegria, e essa alegria é sua recompensa.

E há os que dão com pena, e essa pena é seu batismo.

E há os que dão sem sentir pena nem buscar alegria e sem pensar na virtude:

Dão como no vale, o mirto espalha sua fragrância no espaço.

É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar sem ser solicitado, por haver apenas compreendido;

E para os generosos, procurar quem receberá é uma alegria maior ainda que a de dar.

Existe alguma coisa que possais conservar?

Tudo que possuís será dado.

Dai agora, portanto, para que a dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros.

Dizeis muitas vezes: " Eu daria, mas somente a quem merece".

As árvores de vossos pomares não falam assim, nem os rebanhos de vossos pastos.

Dão para continuar a viver, pois reter é perecer.

Certamente, quem é digno de receber seus dias e suas noites é digno de receber de vós tudo ou mais.

E que mérito maior haverá do que aquele que reside na coragem e na confiança, mais ainda, na caridade de receber?

E quem sois vós para que os homens devam expor seu íntimo e desnudar seu orgulho a fim de que possais ver seu mérito despido e seu orgulho rebaixado?

Procurai ver primeiro, se vós próprios mereceis ser doadores e instrumentos do dom.

Pois, na verdade, é a vida que dá a vida - enquanto vós, que vos julgais doadores, sois simples testemunhas.

E vós que recebeis - e vós todos recebeis - não assumais nenhum encargo de gratidão, afim de não pordes um jugo sobre vós e vossos benfeitores.

Antes, erguei-vos, juntos com eles, sobre asas feitas de suas dádivas.

Pois, na verdade, se ficardes demasiadamente preocupados com vossas dívidas, estareis duvidando da generosidade daquele que tem a terra liberal por mãe e Deus por pai.

Khalil Gibrain

11/12/10

Notícias de Bissau III


meus amigos

estou a viver uma experiência muito interessante. estou numa cidade perto de Dakar. vim a trabalho participar numa conferência das caritas dos países da região do sahel e dos seus parceiros dos países do norte. vim, sobretudo, para servir de tradutora à secretária geral da caritas guiné-bissau, porque os trabalhos são em francês, uma vez que a fec é parceira dessa instituição.

é uma boa oportunidade ouvir as experiências de outros países vizinhos que têm problemas humanitários - há delegações do senegal, do mali, da mauritânia, do burkina fasso, do níger, do tchad - e de países que têm orçamento para os ajudar - estão presentes a caritas inglesa, espanhola, americana e francesa.

os países da região do sahel , são os países que se encontram dentro de uma faixa do continente africano, da costa ocidental à oriental, que estão numa zona em desertificação e que é muito vulnerável a situações de crise como as secas e as inundações. para além disso, quase todos têm instabilidade política, o que agrava os factores económicos.

em todos estes países, a caritas (a ong da igreja católica em todo o mundo. é a acção social da igreja e está organizada por dioceses. é a segunda maior ong do mundo, a seguir à cruz vermelha) tem um papel fundamental na resposta às populações em situações de crise provocadas por catástrofes naturais.

o congresso em que estou a participar é um dos encontros que este grupo de trabalho dinamiza anualmente, para tratar destas preocupações comuns. o tema deste ano é: “os desafios, as oportunidades e as perspectivas da agricultura no sahel”.

é um tema de extrema importância porque tenta abordar as formas de prevenção da fome em situações de emergência ou catástrofes naturais. de facto, e esse é um tema muito discutido nos países africanos, seria de uma extrema importância que cada país africano conseguisse assegurar a sua segurança alimentar de forma a evitar as fomes, a evitar a sua vulnerabilidade e dependência do clima ou da ajuda internacional.
está a ser uma experiência muito interessante para mim. a verdade é que até há bem pouco tempo não sabia muito sobre o assunto. já tinha ouvido o miguel falar sobre isto porque este é um dos domínios da tiniguena mas só agora, ao preparar-me para a conferência que tive de fazer sobre a situação na guiné-bissau, é que me dediquei verdadeiramente ao assunto. e estou a aprender muitíssimo.

a cartitas guiné-bissau está a participar, pela primeira vez, neste encontro porque o país tem zonas, sobretudo no leste e no norte, onde a desertificação (geográfica, não no sentido de fuga de população) se começa a notar, bem como outras consequências das alterações climáticas (subida do nível das águas do mar que está a provocar a salinização das águas dos rios, o que, por sua vez, está a pôr em perigo o cultivo do arroz, por exemplo).
a apresentação da guiné-bissau foi esta tarde e correu muito bem.

para além disso estão a saber-me bem estes dias “fora” da rotina. é sempre bom viajar e conhecer outras realidades, outros problemas, ter outros desafios.

o mês de novembro foi um mês cheio de trabalho na rádio e na fec. em fevereiro próximo a fec irá celebrar os 10 anos de existência na guiné-bissau e já estamos a começar os preparativos. o programa de rádio “tabanka do português” continua o seu caminho e estamos a conseguir chegar a cada vez mais população, uma vez que estamos a distribuir o programa por diversas rádios comunitárias onde a rádio nacional não chega. é bom!

no mês passado fui a canchungo várias vezes – uma porque aproveitei uma boleia e queria muito ir ver o meu pequenote, o uyé; outra porque fui a um pic-nic organizado pelo colega que agora está em cxg aquando do seu aniversário, e outra porque levei os meus amigos portugueses que me vieram visitar.

é verdade, recebi os meus primeiros visitantes desde que cá estou e é uma experiência muito agradável poder mostrar a minha terra aos meus amigos. tentei organizar tudo o mais possível, uma vez que não há propriamente “pacotes” vendidos nas agências de viagem portuguesas. acho que os meus amigos não se arrependeram de ter vindo.

com eles fui visitar a escola de bidjope, aquela construída com fundos recolhidos em portugal (talvez mesmo por ti, que estás a ler este texto), a missão católica de canchungo (onde já temos cerca de 40 crianças apadrinhadas), e muitos, muitos sítios bonitos na guiné. neste preciso momento devem estar para bafatá, depois de um fim-de-semana nas ilhas!

tenho outra novidade para contar, quase esquecia!
eu e o emanuel, um colega meu vizinho, achamos que o espírito natalício estava fraco por aqui – nada de frio, de cachecóis e gorros, de símbolos natalícios, de família (as nossas, pelo menos), de música, de neve… tudo a que o natal nos habituou desde a infância. :D andamos então uns tempos a cantarolar “christmas carols” pelos corredores da casa e do trabalho… até que nos lembramos: e se organizássemos um concerto de natal/ano novo??? e se bem o pensamos… melhor o fizemos! tomamos a iniciativa (difícil!!) de unir cooperantes de várias nacionalidades em prole de um objectivo comum. falamos com o pároco e o coro da catedral de bissau e… voilà!! teremos um concerto no dia 29 de janeiro, de início de ano (depois dos cooperantes voltarem de natal, por isso a data tão tardia!) com o coro da catedral e cerca de 20 cantores amadores, de diversas nacionalidades, cheios de boa vontade, que se uniram pela simples razão de gostarem de cantar! estou toda entusiasmada!!

para dar uma ideia de universalidade, escolhemos músicas de natal em diferentes línguas - latim, português, inglês, francês, italiano, alemão - e terminaremos todos a cantar uma peça em crioulo. para além disso, e porque o coro da catedral também canta connosco, estamos a tentar uns arranjos bem multi-culturais! já imaginaram um “adeste fideles” cheio de ritmo, ao som do batuque? asseguro-vos que fica fantástico! estilo “fusão” :D (e o nosso d. joão iv que nos perdoe!)

o mês de novembro foi também o mês das celebrações da independência de angola. o centro cultural português, em parceria com a embaixada angolana, passou diversos filmes e documentários sobre angola e eu tentei ir sempre que pude. passaram filmes muito interessantes mas quase todos chocantes – quer sobre o tempo colonial, quer sobre o pós-independência. será que é agora que angola encontra o seu caminho? ou será que vai voltar a perder-se nos meandros do petróleo, criando uma luanda desfasada do resto do país, uma luanda de e para brancos e elites, esquecendo a população? …

em cacheu teve lugar um grande acontecimento – o festival dos quilombolas. com muita pena minha não pude assistir a nenhum espectáculo, mas, afortunadamente, acabei por assistir ao encerramento, em bissau.
explico – a guiné-bissau era um dos locais privilegiados pelos portugueses na captura de escravos para o brasil. os negreiros aproveitavam-se das lutas étnicas desta região e faziam negócio com algumas etnias mais fortes que lhes vendiam os negros que faziam prisioneiros em etnias mais fracas. todos sabemos como estes escravos chegavam ao brasil – acho que não há ninguém que não se lembre das imagens dos barcos negreiros dos livros de história…
alguns destes escravos mais fortes, conseguiam fugir aos seus senhores e refugiavam-se nas matas brasileiras. conforme se iam juntando, criavam comunidades chamadas de quilombos. muitos brasileiros na actualidade provêm destes quilombos e denominam-se de quilombolas. um grupo específico de uma região brasileira decidiu fazer pesquisas sobre os seus antepassados e descobriu que descendiam de escravos provenientes da região de cacheu e decidiram organizar uma visita à terra dos seus antepassados.
foi uma experiência fantástica – cacheu engalanou-se toda para receber os “familiares brasileiros”. foi uma semana de festa, música, dança, comida… eram esperadas mais de 500 pessoas em cacheu naquela semana! algumas ongs apoiaram o evento, assim como a embaixada brasileira. o encerramento teve lugar no centro cultural brasileiro e foi uma cerimónia muito animada à qual eu tive a sorte de assistir!

e cá fica mais uma partilha!

até breve e bom espírito natalício…